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Produções Acadêmicas

Por Kleber Boelter, 13 de janeiro de 2010 19:14

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Ao longo do curso da Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, o autor produziu vários trabalhos, em especial sobre Teoria da Literatura e sobre Educação. Abaixo, alguns desses trabalhos em arquivos PDF:

Ensaio – Grande sertão veredas uma crítica (quase) impossível

Crítica – análise do poema Autopsicografia de Fernando Pessoa

Ensaio – O campo na poesia e música de Mário Barbará e Sérgio Napp

Artigo – Eu tenho preconceito

O principal deles, no entanto, foi a monografia apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, pré-requisito para a colação de grau. O texto integral pode ser acessado aqui: Monografia Kleber Boelter – 2010, em PDF. Abaixo, uma sinopse sobre o teor do trabalho:

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RGS

FACULDADE DE LETRAS

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS LINGÜÍSTICOS

A EDUCAÇÃO NO BRASIL DE HOJE: um estudo teórico sobre a situação atual e alternativas para um Projeto Político-Pedagógico bem-sucedido

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito à obtenção do título de Licenciado em Letras – Língua Portuguesa – pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Autor: Kleber de Oliveira Boelter

Orientadora: Profa. Dra. Marisa Magnus Smith

Porto Alegre – 2009

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Sinopse:

De tempos em tempos, determinados assuntos tomam espaço nas páginas de jornais, nas revistas periódicas e nos noticiários da televisão e passam a ser discutidos prioritariamente pelas várias instituições que compõem uma nação.

Uma dessas questões, que há anos é anunciada como prioritária por políticos e governantes e que contemporaneamente vem ocupando destacado espaço nas discussões da sociedade brasileira, é a educação. Desafortunadamente, esse destaque não se deve à excelência de nosso sistema de ensino. Muito pelo contrário: a sociedade discute cada vez mais os baixos níveis de ensino e aprendizagem nas escolas brasileiras, em todos os níveis e áreas do conhecimento. E, paralelamente, também ganha destaque o recrudescimento da violência em todas as instâncias da sociedade, inclusive nas escolas e nas próprias famílias.

Essa é a questão que o presente trabalho enfoca. A situação do ensino e aprendizagem no Brasil é tão calamitosa quanto se apregoa, ou essa é uma falsa percepção? O Brasil realmente investe pouco em educação? Que fatores contribuíram para que o ensino e a aprendizagem atingissem os níveis atuais? E que soluções poderiam ser implementadas para que houvesse uma significativa melhoria no quadro da educação brasileira?

Nesse contexto, definiu-se três objetivos principais: primeiro, reunir dados, através de pesquisa teórica, que tracem um painel do nível atual da educação no Brasil; segundo, identificar e analisar as principais variáveis que contribuíram para a situação verificada; e, terceiro, analisar exemplos de projetos bem sucedidos em educação e propor princípios e políticas que contribuam para a melhoria desse cenário.

No entanto, no cerne dessa investigação emerge um aspecto prioritário: quando analisados os resultados dos testes nacionais e internacionais, ou mesmo o desempenho corriqueiro em sala de aula, o que mais chama a atenção não é o fato de os alunos não saberem aplicar a fórmula de Bhaskara ou não compreenderem a diferença entre um verbo transitivo e um intransitivo. O que realmente impressiona é ver alunos, no final do ensino fundamental ou no início do ensino médio, que não sabem interpretar um texto simples ou que não são capazes de escrever um único parágrafo sem que apareçam erros graves de ortografia e sintaxe.

Enquanto se alardeia em discursos de intelectuais respeitadíssimos e  de autoridades governamentais que a principal função das escolas é “formar cidadãos”, as instituições de ensino falham miseravelmente naquela que é sua função mais básica, mais elementar: ensinar seus alunos a ler e a escrever. Não há cidadania com homens e mulheres que não sabem ler um jornal, que não compreendem o teor de leis que afetarão profundamente suas vidas, que não reconhecem um discurso político eivado de promessas falsas. Esta afirmação está longe de ser uma novidade. Paulo Coimbra Guedes, em ensaio publicado na obra Ler e escrever: compromisso de todas as áreas, [1] afirma:

É um direito de cidadania do aluno ter acesso aos meios expressivos construídos historicamente pelos falantes e escritores da língua portuguesa para se tornar capaz de ler e compreender todo e qualquer texto já escrito nessa língua. Ensinar a ler é levar o aluno a reconhecer a necessidade de aprender a ler tudo o que já foi escrito, desde o letreiro do ônibus ao nome das ruas, dos bancos, das casas comerciais, leituras fundamentais para sua sobrevivência e orientação numa civilização construída a partir da língua escrita; ler o jornal, que vai relacioná-lo minimamente com o mundo lá fora; ler os poemas, que vão dar concretude, qualificar e expandir os limites de seus sentimentos; ler narrativas, que vão organizar sua relação com a complexidade da vida social, ler as leis e regulamentos que regem a sua cidadania, ler os ensaios que apelam à sua racionalidade e a desenvolvem. (apud NEVES, 2000, p.135)

Já Vera Teixeira Aguiar, na obra Que livro indicar: interesses do leitor jovem[2], afirma:

(…) a leitura é um dos meios mais eficazes para o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo (…) portanto, a formação de hábitos permanentes de leitura promove o crescimento cultural do indivíduo e a sua capacitação de atuar criticamente no mundo em que vive. (p.9)

E, no artigo intitulado Dever do próximo presidente: vetar a expansão curricular[3], Gustavo Ioschpe declara:

Nossa prioridade primeira deveria ser fazer com que as crianças de primeira série aprendessem a ler e a escrever. Enquanto isso não for estabelecido, todo o resto será mudança cosmética. Não é possível ensinar filosofia, sociologia, direito, história ou geografia a jovens semiletrados.

Na verdade, não são apenas os conhecimentos básicos das ciências humanas ou exatas que serão inalcançáveis para uma pessoa que não dominar a linguagem na qual esses conhecimentos foram criados e armazenados. Segundo a concepção ontológica da linguagem discutida por Martin Heidegger[4], não dominá-la nos afasta até mesmo de nossa condição humana, pois essa concepção pensa o homem como “sendo” por meio da linguagem e “permite entender a linguagem não apenas como veículo de transmissão de informações, mas como o modo no qual se manifesta o próprio existir humano”(DUARTE, 2005, p.131).

Esse é o cerne da questão que norteou não apenas o presente Trabalho de Conclusão de Curso, mas que desafia a própria nação brasileira e, em especial, àqueles envolvidos diretamente na educação de nossas atuais e futuras gerações.


[1] NEVES, Iara Conceição Bitencourt e outros. Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. Porto Alegre: UFRGS, 2000.

[2] AGUIAR, Vera Teixeira de. Que livro indicar? Interesses do leitor jovem. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1979.

[3] Disponível em: http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_080908.shtml. Acesso em: 23 nov 2009.

[4] Disponível em: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-24302005000200004&lng=pt&nrm=.pf&tlng=pt. Acesso em: 23 nov 2009.

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